sábado, 17 de outubro de 2009


Fiz e tomei café sozinha.
Ainda estou com a maquiagem borrada nos olhos.
Está escuro no meio da tarde.
Ouço uma banda melancólica e desconhecida.
Já recebi três recusas.
Talvez a vida precise de dias chuvosos e solitários mesmo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pra quem me ensinou a viver o que não é real


Senti saudades... nunca pensei que sentiria saudades dele... mas senti... o amei... não me senti mal, nem triste. Significa que tudo valeu a pena, que tudo foi real. Fico feliz por isso. Espero que ele esteja bem naquele lugar distante onde ele está.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Com licença poética
Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Hoje me fizeram chorar. Choro até agora, deve fazer quase duas horas. Por uns segundos me acalmei. Superei o motivo maior que tinha me feito começar a chorar, mas já era tarde. Já estava frágil demais. Qualquer coisa é estopim pro choro voltar. Dai volta o primeiro motivo dai volta tudo.
É engraçado o poder destrutivo que as palavras vindas de alguém especial tem. Devia ao invés de chorar ter lhe dado um tapa pra ele sentir alguma coisa. Mesmo que essa coisa não fosse um quinto do que eu senti.
Pena na hora não ter pensado em outra solução se não mostrar que eu era mais frágil do que ele pensava. Era uma solução. Mostrar o que ele fez. Mostrar que palavras machucam. Mas talvez ele seja tão bruto que nem isso tenha percebido, pobrezinho.
Se ele estivesse com o olho roxo acho que não estaria chorando agora. De certa forma eu me sentiria vingada e um pouco satisfeita. Mas eu chorei e agora com o rosto inchado e o olho vermelho tento mil jeitos de me sentir melhor, mas nenhum parece muito efetivo. Talvez um abraço. Assim que alguém puder me abraçar...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mimo

Quero-te pra ver teus pés... Quero-te pra que me queiras... Quero-te pra me vingar de ti, dele e de quem mais for... Você é o que eu quiser... Por isso que quero-te... Quero-te para que sejas o que eu quiser... Quero-te tela vazia, bloco de argila, folha em branco... Quero dar forma ao meu querer... É por isso que te quero tanto assim.

domingo, 27 de setembro de 2009

pseudo plagio de Calvino:

Em Uloap há mais pessoas do que cidade, então todos vivem num arranjo quase estático para que todos caibam.
Como há gente demais não se pode falar também, pois apenas o som já pode desarrumar o arranjo delicado em que se encontram.
Nesse emaranhado de pessoas desconhecidas, de muitas nem se vê o rosto. Talvez nem sequer tenham rostos, mas em raros momentos olhos se cruzam e, em seus movimentos limitados, não fogem, sorriem por um segundo. Em seguida mergulham de volta na multidão

sábado, 26 de setembro de 2009

Vem voar comigo. Desliga luz desliga a mente. Gira. Dança. Por alguns segundos toma essa liberdade irrevente. Esquecer que tem algo que precisa ser esquecido.