-É cedo.
-Por isso mesmo.
-Cedo demais pra fugir de casa
-Por isso mesmo, assim eu não estou fugindo. Eu esperei você acordar. Eu estou indo embora sem fugir. Quero te dar um beijo de despedida. Despedida por agora, porque eu sei que a gente um dia vai se encontrar por acaso em algum lugar e eu não quero fingir que não te conheço, então quero conseguir me despedir de você sem desistir de ir embora.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Castelos
Ana embaralhava as cartas concentrada. Artur olhava de longe desinteressado.
"Você realmente acredita que essas cartas vão te dizer alguma coisa?"
"Eu só quero tomar uma decisão."
"Você conseguiria sem as cartas"
Ela lançou-lhe um olhar de reprovação e voltou as cartas. Colocandos em leque sobre a mesa ainda sem revelá-las.
"O que você precisa decidir?"
"Eu não quero te falar."
"Você pode pensar sobre isso. Achar uma solução lógica."
"Essa é muito fácil de achar, mas eu não gostei dela."
"Então vai acreditar numa coisa mística? Assim? Fácil. Você não quer assumir as coisas? Você tem que enfrentar isso."
"Eu só quero um conselho. Um outro jeito de ver as coisas."
"Fala o que anda te incomodando."
"Eu não posso falar pra você"
"Por que?"
"Escolhe uma carta." Ana apontou para as cartas arrumadas na mesa.
A voz de Ana ecoava em sua cabeça. Se lembrou de muito tempo atrás. Quando andava metido a fazer mágica. Fora assim que conheceu Ana. Conhecido em comum os levaram aquele jantar chato. Para diverti-la tirou o baralho do bolso.
"Escolhe uma carta."
As firulas de sempre e ele descobria a carta dela. Era tudo um truque. Todos sabem que é. Mesmo assim chama de mágica e esperam que alguém se impressione, mas ninguém finge que acredita. Pedem para que repita para tentarem desvendar o truque. Ela não tentou adivinhar. Só sorriu e disse "Acertou". Logo mudaram de assunto e até que encontraram assuntos. Assuntos que acabaram por construir o carinho entre eles, porém o tempo todo em que estivera com ela nunca a vira com o tal baralho de tarot. Nem imagina que ela pudesse acreditar nisso.
Artur separou a carta, mas não revelou qual era.
"Você não respondeu, Ana, acredita mesmo nisso?"
"Não sei, às vezes sim às vezes não"
Artur já não entendia mais nada. Ela continuou a falar.
"É como você respondendo se acredita em Deus, mas é como se eu num quisesse me perguntar o tarot funciona ou não. Pra decisão que eu quero tomar tanto faz qual caminho eu tomo. Eu só quero escolher um. Cair pra qualquer dos lados do muro. O que eu não aguento é que as coisas continuem como estão"
"É como jogar cara ou corou fazendo um acordo com si mesmo. Se der cara eu mato ele se der coroa ele continua vivo."
Agora Ana que não entendia
"Era um vilão do Batman."
Ele espera qualquer reação dela. Curioso para ver qual seria, mas torcendo para que não o reprovasse. Ela sorri.
"Mas as cartas de tarot num dizem nada concreto. Você completa com a sua interpretação delas. Vira a carta"
"A morte"
"Não é ruim como você deve estar pensando. Ela significa recomeço. As coisas precisam morrer para poderem renascer. Essa carta só é ruim pra quem teme mudanças."
"Te responde alguma coisa."
"Sim, mas acho que eu já tinha decidido antes."
Ana foi embora naquela noite. Quando Artur se deu conta pensou que deveria ter pedido para que ela repetisse o procedimento, mas com a impressão de que não importava a carta que virasse. O final ainda seria o mesmo. Não eram mágicas, apenas truques e exepectadores fingindo acreditar.
"Você realmente acredita que essas cartas vão te dizer alguma coisa?"
"Eu só quero tomar uma decisão."
"Você conseguiria sem as cartas"
Ela lançou-lhe um olhar de reprovação e voltou as cartas. Colocandos em leque sobre a mesa ainda sem revelá-las.
"O que você precisa decidir?"
"Eu não quero te falar."
"Você pode pensar sobre isso. Achar uma solução lógica."
"Essa é muito fácil de achar, mas eu não gostei dela."
"Então vai acreditar numa coisa mística? Assim? Fácil. Você não quer assumir as coisas? Você tem que enfrentar isso."
"Eu só quero um conselho. Um outro jeito de ver as coisas."
"Fala o que anda te incomodando."
"Eu não posso falar pra você"
"Por que?"
"Escolhe uma carta." Ana apontou para as cartas arrumadas na mesa.
A voz de Ana ecoava em sua cabeça. Se lembrou de muito tempo atrás. Quando andava metido a fazer mágica. Fora assim que conheceu Ana. Conhecido em comum os levaram aquele jantar chato. Para diverti-la tirou o baralho do bolso.
"Escolhe uma carta."
As firulas de sempre e ele descobria a carta dela. Era tudo um truque. Todos sabem que é. Mesmo assim chama de mágica e esperam que alguém se impressione, mas ninguém finge que acredita. Pedem para que repita para tentarem desvendar o truque. Ela não tentou adivinhar. Só sorriu e disse "Acertou". Logo mudaram de assunto e até que encontraram assuntos. Assuntos que acabaram por construir o carinho entre eles, porém o tempo todo em que estivera com ela nunca a vira com o tal baralho de tarot. Nem imagina que ela pudesse acreditar nisso.
Artur separou a carta, mas não revelou qual era.
"Você não respondeu, Ana, acredita mesmo nisso?"
"Não sei, às vezes sim às vezes não"
Artur já não entendia mais nada. Ela continuou a falar.
"É como você respondendo se acredita em Deus, mas é como se eu num quisesse me perguntar o tarot funciona ou não. Pra decisão que eu quero tomar tanto faz qual caminho eu tomo. Eu só quero escolher um. Cair pra qualquer dos lados do muro. O que eu não aguento é que as coisas continuem como estão"
"É como jogar cara ou corou fazendo um acordo com si mesmo. Se der cara eu mato ele se der coroa ele continua vivo."
Agora Ana que não entendia
"Era um vilão do Batman."
Ele espera qualquer reação dela. Curioso para ver qual seria, mas torcendo para que não o reprovasse. Ela sorri.
"Mas as cartas de tarot num dizem nada concreto. Você completa com a sua interpretação delas. Vira a carta"
"A morte"
"Não é ruim como você deve estar pensando. Ela significa recomeço. As coisas precisam morrer para poderem renascer. Essa carta só é ruim pra quem teme mudanças."
"Te responde alguma coisa."
"Sim, mas acho que eu já tinha decidido antes."
Ana foi embora naquela noite. Quando Artur se deu conta pensou que deveria ter pedido para que ela repetisse o procedimento, mas com a impressão de que não importava a carta que virasse. O final ainda seria o mesmo. Não eram mágicas, apenas truques e exepectadores fingindo acreditar.
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Em todos os caminhos inusitado que segui sempre esperei encontrá-lo ao dobrar a esquina. Ele nunca estava lá. Em nenhum dos lugares que visito em meus sonhos. Em nenhum dos becos que visito às noites. Em nenhuma das minhas surpresas nem nas esquinas que passo todo dia e pelas quais sinto um carinho especial.
Andando num lugar comum o encontrei. Ele, a mim, não. Não tinha sido como eu pensava todos os dias. Apenas vi ele passando naquele clichê com a malha de lã preta e um cachecol que eu não conhecia. Se confundia com todos os outros na multidão. Cabisbaixo sequer me notou parada tentando acreditar nele. Até que parecia mais feliz que a última vez que o vira, mas, ainda sim, bem mais triste que da penúltima.
Fiquei olhando frustrada. Não era nenhum lugar mágico. Não era nenhum momento mágico. Ele era só mais um pedestre e eu me interessava mais pelas pernas da mulher de vermelho do que em admirar meu estranho passado.
Andando num lugar comum o encontrei. Ele, a mim, não. Não tinha sido como eu pensava todos os dias. Apenas vi ele passando naquele clichê com a malha de lã preta e um cachecol que eu não conhecia. Se confundia com todos os outros na multidão. Cabisbaixo sequer me notou parada tentando acreditar nele. Até que parecia mais feliz que a última vez que o vira, mas, ainda sim, bem mais triste que da penúltima.
Fiquei olhando frustrada. Não era nenhum lugar mágico. Não era nenhum momento mágico. Ele era só mais um pedestre e eu me interessava mais pelas pernas da mulher de vermelho do que em admirar meu estranho passado.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010
Jantar
Sentada a frente de Ricardo, Joana encarava seus olhos azuis brilhando. Tomava o vinho rápido, para não se dar a chance de falar. Ele a olhava com ternura, mas aquele azul sempre parecia mais distante. Por mais próximo que estivesse dela, ainda era inalcansável e inabalável. Hábil em tudo o que fazia, com a postura infalível, se mostrava muito mais perfeito do que era. Joana se intimidava, mas não deixava sua insegurança transparecer. Arregalava os olhos verdes contra os azuis e bebia mais um gole de vinho.
"Acho que o que eu mais amo em você é o seu mistério e junto com ele a possibilidade de poder te desvendar. Você é um mundo inteiro desconhecido, mas me dá a chance de fazer parte dele. No começo é difícil, mas depois se conhece os caminhos, se habitua a paisagem. Não me deixa te atravessar, que assim vou embora. Eu não quero ir embora. Quero ficar no seu mundo por inteiro, e não só como sombra, mas não se revele, sempre guarde um segredo pra me surpreender. Não quero que seja monótono. Assim como está você me seduz, mas até onde? Até onde me deixa e até onde eu quero chegar. Você precisa descobrir. Eu também sou um mundo. Vem."
Era tudo o que ela desejava dizer, mas não soltou uma palavra. Esperava que seus olhos o fizessem compreender.
"Acho que o que eu mais amo em você é o seu mistério e junto com ele a possibilidade de poder te desvendar. Você é um mundo inteiro desconhecido, mas me dá a chance de fazer parte dele. No começo é difícil, mas depois se conhece os caminhos, se habitua a paisagem. Não me deixa te atravessar, que assim vou embora. Eu não quero ir embora. Quero ficar no seu mundo por inteiro, e não só como sombra, mas não se revele, sempre guarde um segredo pra me surpreender. Não quero que seja monótono. Assim como está você me seduz, mas até onde? Até onde me deixa e até onde eu quero chegar. Você precisa descobrir. Eu também sou um mundo. Vem."
Era tudo o que ela desejava dizer, mas não soltou uma palavra. Esperava que seus olhos o fizessem compreender.
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Sentada na laje com o gato no colo ela observava a avenida longe, lá em baixo. O Sol iluminava, mas não esquentava. Era mais uma manhã pálida e alegre que fazia seus olhos brilharem.
—Dizem que eu não devia estar aqui. Que não é lugar pra uma menina. Pra você sim, você é um gato, você vai aonde bem entende. Quanto mais difícil de chegar mais você gosta e todos te entendem, afinal você é um gato e não uma menina. Meninas devem ficar no chão. Acho que às vezes confundem meninas com bonecas. É incrível como isso é mais frequente do que confundir um gato com um cachorro. Você odiaria se isso acontecesse.
Ela fez uma pausa. Os carros continuavam a correr na avenida daquela cidade cinza com Sol amarelo e Céu azul. O gato se esticava em seu colo preguiçosamente.
—Eu gosto tanto daqui. De não sentir a fumaça da cozinha, nem dos carros. De estar mais perto do Céu. De pensar que ninguém vai me encontrar. Por que isso é errado pra eles?
—Dizem que eu não devia estar aqui. Que não é lugar pra uma menina. Pra você sim, você é um gato, você vai aonde bem entende. Quanto mais difícil de chegar mais você gosta e todos te entendem, afinal você é um gato e não uma menina. Meninas devem ficar no chão. Acho que às vezes confundem meninas com bonecas. É incrível como isso é mais frequente do que confundir um gato com um cachorro. Você odiaria se isso acontecesse.
Ela fez uma pausa. Os carros continuavam a correr na avenida daquela cidade cinza com Sol amarelo e Céu azul. O gato se esticava em seu colo preguiçosamente.
—Eu gosto tanto daqui. De não sentir a fumaça da cozinha, nem dos carros. De estar mais perto do Céu. De pensar que ninguém vai me encontrar. Por que isso é errado pra eles?
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segunda-feira, 12 de julho de 2010
depois
A última lembrança que um levava do outro era um clichê. A única coisa que os unia era o fato de terem estado, por um ano, cinco dias sim dois não, passando quatro horas do dia sentados na mesma sala olhando para o mesmo lugar ouvindo as mesmas pessoas falarem. Ele até que tinha boas notas para um idiota. Ela era insuportável para se conviver na sala. Ela não sabia tanto quanto achava que sabia.
O futuro esperado é que ele ganhasse dinheiro e boa vida não importa onde. Ela, que fosse uma acadêmica respeitada, quem sabe até política. O que sabiam é que depois da formatura não se veriam mais. No máximo ouviriam um ou outro amigo de amigo em comum mencionaria o nome do outro.
O futuro não era tão brilhante, nem eles eram tão clichês como se viam um ao outro.
Eis que uma noite se encontraram. Demoraram para se reconhecer sob as luzes estroboscópicas, a multidão, a música alta a álcool. Ela o viu, sorriu, sem acreditar que ele se lembrasse. Ele a encarou por alguns instantes, correspondeu o sorriso e foi abraçá-la. A conversa durou pouco e não dizia nada. Logo se tornou beijo.
Fora uma noite prazeroza, mas de manhã tudo já se havia desfeito. Ele havia deixado de ser o garoto do colegial, mas passava a ser mais um deitado em sua cama. Trocaram telefones sem a intenção de um dia se ligarem. Voltaram para suas vidas medíocres um sem saber ao certo como andava o futuro do outro.
O futuro esperado é que ele ganhasse dinheiro e boa vida não importa onde. Ela, que fosse uma acadêmica respeitada, quem sabe até política. O que sabiam é que depois da formatura não se veriam mais. No máximo ouviriam um ou outro amigo de amigo em comum mencionaria o nome do outro.
O futuro não era tão brilhante, nem eles eram tão clichês como se viam um ao outro.
Eis que uma noite se encontraram. Demoraram para se reconhecer sob as luzes estroboscópicas, a multidão, a música alta a álcool. Ela o viu, sorriu, sem acreditar que ele se lembrasse. Ele a encarou por alguns instantes, correspondeu o sorriso e foi abraçá-la. A conversa durou pouco e não dizia nada. Logo se tornou beijo.
Fora uma noite prazeroza, mas de manhã tudo já se havia desfeito. Ele havia deixado de ser o garoto do colegial, mas passava a ser mais um deitado em sua cama. Trocaram telefones sem a intenção de um dia se ligarem. Voltaram para suas vidas medíocres um sem saber ao certo como andava o futuro do outro.
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segunda-feira, 5 de julho de 2010
Xeque Mate
Estavam um diante do outro e se encaravam. A cena estática já acontecia há algum tempo, mas nada se mexia, palavras não vinham no emaranhado de pensamentos dos dois. Ele se perdia no mar que eram seus olhos castanhos. Ela se acuava em seus olhos claros. Ela se via a beira de um penhasco. Ela sabia o que devia fazer. Ela precisava sair daquele deserto que construíra para si, mas o olhar daqueles olhos verdes lha tirava as palavras.
Ela olhava ao redor, mas não via nada além do deserto de sua mente. No desespero resolveu que ira falar. Ensaiou em sua cabeça milhões de vezes antes de tentar. Abriu sua boa, porém a garganta continuava seca. Teria de se esforçar muito para falar, mas ela precisava. Ele não sabia como ela se sentia e ela não aguentava mais aquela prisão. Prisão sim, travestida de liberdade, mas sem conseguir se livrar dos mesmos pensamentos. Sem querer tudo em seu mundo a sufocava e pronunciar aquelas palavra seria o começo de sua fuga. Respirou fundo e sem pensar falou rápido com voz rouca:
-Eu vou embora.
Era como se ela pudesse voltar a respirar. Mais que isso, era como se tivesse roubado todo ar dele. Pela primeira vez ele estava no penhasco dela. Empurrado dele. Ele não tinha mais ação. Se dera conta de que nunca a conhecera e agora tudo desmoronava. Sabia que era uma questão de tempo até que se levantasse e voltasse a pose, mas havia sido surpreendido. Não reagiria, não agora.
Ela se virou e foi embora. Se perdeu no meio da multidão. Ele continuava perdido na lembrança dos olhos castanhos, aproveitaria a perda por mais alguns segundos, até que ela estivesse longe. Logo continuaria como antes, apenas longe dela.
Ela olhava ao redor, mas não via nada além do deserto de sua mente. No desespero resolveu que ira falar. Ensaiou em sua cabeça milhões de vezes antes de tentar. Abriu sua boa, porém a garganta continuava seca. Teria de se esforçar muito para falar, mas ela precisava. Ele não sabia como ela se sentia e ela não aguentava mais aquela prisão. Prisão sim, travestida de liberdade, mas sem conseguir se livrar dos mesmos pensamentos. Sem querer tudo em seu mundo a sufocava e pronunciar aquelas palavra seria o começo de sua fuga. Respirou fundo e sem pensar falou rápido com voz rouca:
-Eu vou embora.
Era como se ela pudesse voltar a respirar. Mais que isso, era como se tivesse roubado todo ar dele. Pela primeira vez ele estava no penhasco dela. Empurrado dele. Ele não tinha mais ação. Se dera conta de que nunca a conhecera e agora tudo desmoronava. Sabia que era uma questão de tempo até que se levantasse e voltasse a pose, mas havia sido surpreendido. Não reagiria, não agora.
Ela se virou e foi embora. Se perdeu no meio da multidão. Ele continuava perdido na lembrança dos olhos castanhos, aproveitaria a perda por mais alguns segundos, até que ela estivesse longe. Logo continuaria como antes, apenas longe dela.
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
Poderia começar dizendo que vou contar mais um história de amor, mas talvez atraísse alguns, mas estes leitores se frustrariam ao longo da narrativa. A história a ser contada diz muito mais sobre fugas. É só a história de alguém que se perdeu e sem saber o que procura foge de tudo que possa querer. No fim será uma história de amor como todas as outras, mas que fique clara que a intensão inicial do narrador e do protagonista não é essa.
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domingo, 6 de junho de 2010
Com o corpo inclinado na janela ela admirava a vista, porém sem muita admiração. Lembrava da primeira vez em que aquele pôr-do-sol a fascinara. Lembrava das primeiras vezes em que aquele lugar a confortava. Quando tudo aquilo constituía seu pequeno paraíso. Por que não era mais assim? Algo nela, talvez movido por nostalgia, queria que ela voltasse a amar aquele lugar, mas já era tarde. Era comum demais, era entediante e o pior, a mantinha presa ali. Logo Ricardo chegaria, mas ele era como a sala ou a janela, algo que a deslumbrara, algo pelo qual ela se apaixonara, mas que agora era apenas costume.Ricardo sempre doce. Era odiável o quanto ele a amava. Ela não conseguia suportar, se sentia culpada, queria desesperadamente livrar-se da culpa e responsabilidade de seu afeto. Ele deveria ser tão mais que um amante, deveria ser inalcansável, deveria ser um Deus, mas agora era só um outro apaixonado que não a deixava sair dali.Ela sabia que deixaria aquela vida, mas não por enquanto, ainda não, não havia como, para onde iria? E Ricardo? E o gato? Ah, o gato! Deixou a vista da janela e foi colocar mais leite no pires do gato, depois voltaria aos estudos até que Ricardo voltasse. Passaria um tempo indeterminado assim, mas um dia conseguiria enfim lhes deixar.
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segunda-feira, 15 de março de 2010
Estava prestes a fechar a mala. Como estava vazia. Será que realmente não faltava nada? Não teve paciência para conferir. Fechou-a depressa como se fosse se arrepender caso não a fechasse naquele segundo. Não precisaria de muito mais. Caso precisasse teria como arranjar o que fosse. O desconhecido não era deserto, nem tão desconhecido assim era.
Tinha tudo já planejado em detalhes e mesmo assim levava na mala lugar para se surpreender.
Olhou para todo o quarto. A mala era um corpo estranho a ele. Era tudo o que levaria daquele lugar. Tirou alguns segundo para encarar tudo que deixaria. Se um dia voltaria? Se tudo estaria no lugar?
Voltou a olhar para o retângulo destoante em cima da cama. Era como se fugisse de casa, mas dessa vez era de verdade, não apenas um par de sapatos, bolachas e um urso de pelúcia numa trouxa. Era sério demais.
O quarto olhando a mala já a via como estranha. Não havia mais lugar naquele quarto pra ela. Não daquele jeito e a única maneira de abrir espaço era tomando o caminho mais comprido.
Pegou a mala.
Saiu pela porta com passos que fingiam ser decididos.
Antes de fechar totalmente a porta olhou para o interior do quarto. Ela voltaria, mas o conteúdo da mala seria outro.
Tinha tudo já planejado em detalhes e mesmo assim levava na mala lugar para se surpreender.
Olhou para todo o quarto. A mala era um corpo estranho a ele. Era tudo o que levaria daquele lugar. Tirou alguns segundo para encarar tudo que deixaria. Se um dia voltaria? Se tudo estaria no lugar?
Voltou a olhar para o retângulo destoante em cima da cama. Era como se fugisse de casa, mas dessa vez era de verdade, não apenas um par de sapatos, bolachas e um urso de pelúcia numa trouxa. Era sério demais.
O quarto olhando a mala já a via como estranha. Não havia mais lugar naquele quarto pra ela. Não daquele jeito e a única maneira de abrir espaço era tomando o caminho mais comprido.
Pegou a mala.
Saiu pela porta com passos que fingiam ser decididos.
Antes de fechar totalmente a porta olhou para o interior do quarto. Ela voltaria, mas o conteúdo da mala seria outro.
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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Droga de flores, insistem em murchar. Para que cultivá-las então? Jogou as fora, todas. Estava farta de romances e filmes de amor. Iludam o lixo! Como se fossem obedece-la. Ela gostava de cultivar essas crenças. Adoraria acreditar que as pessoas realmente somem ao serem cortadas de fotos.
Não a culpem pela infantilidade sem a qual ninguém vive. Ela só queria que as tralhas ao redor parassem de gritar o quanto ela estava sozinha, mas, todos sabem, ela gosta de flores.
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Pausa
Chega! Gritou para si mesma. Saiu da frente do computador, percorrendo rapidamente o labirinto de biombos com outros que não eram diferentes dela. Pensou em convidá-los para sua fuga, mas talvez, provavelmente, eles só a olhariam com maus olhos. Foi sozinha. Ela e sua bolsa enorme e discreta, como bolsas de mulheres como ela deveriam ser.
Pisou na avenida lotada de pedestres diferentes dela, mas que nunca notariam sua estranhice, já com a mão enfiada na bolsa tateando nervosa em busca do maço de cigarros light.
Finalmente encontrou um banco num calçadão. Parecia que só agora ela podia respirar. Inspirou o ar, a fumaça, não fazia diferença. Fechou os olhos por alguns segundos a ponto de ter um sonho curto com um mundo distante feito de nuvens onde haviam alguns olhos amáveis e conhecidos.
Terminou seu cigarro e voltou para seu trabalho.
Pisou na avenida lotada de pedestres diferentes dela, mas que nunca notariam sua estranhice, já com a mão enfiada na bolsa tateando nervosa em busca do maço de cigarros light.
Finalmente encontrou um banco num calçadão. Parecia que só agora ela podia respirar. Inspirou o ar, a fumaça, não fazia diferença. Fechou os olhos por alguns segundos a ponto de ter um sonho curto com um mundo distante feito de nuvens onde haviam alguns olhos amáveis e conhecidos.
Terminou seu cigarro e voltou para seu trabalho.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Reencontro
Olhou para o retrato, para ele, para ele para o retrato, para suas mãos nervosas. Poderia até ser parecido. No documento continuaria constando o mesmo nome e sobrenome, os mesmo dados para coisas de ordem prática, mas o coração dela se frustrara. Não era quem ela procurava. Guardou o retrato e saiu.
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
Ritual
Você precisava vê-la.
Ela saiu do banho e se lambuzou de cremes com cheiros. Ainda enrolada na toalha, se cobrindo de ninguém, pintou as unhas de vinho. Penteou os cabelos e se vestiu. Escolheu a roupa minuciosamente. Toda de preto como a muito não ficava tinha uma beleza diferente, talvez melancólica. Elegante. Depois pintou os olhos se prometendo que não choraria para não borrar a maquiagem. Borrifou o perfume caro que vinha no frasco esquisito. Nunca havia se arrumado tanto. Queria estar linda. Hoje era especial.
Tomou um café e fumou pra se acalmar. Mascou um chiclé de menta pra disfarçar. Pegou o casaco e o guarda chuva e saiu na rua sozinha na escuridão das 3 da tarde. Não era dia de nada. Ninguém a esperava, mas nada importava. Celebrava sua solidão. Celebrava as partidas, a todos que a deixaram. Finalmente conseguia deixar tudo para traz. Era, por um segundo, rainha de si mesma.
Você precisava vê-la.
Ela saiu do banho e se lambuzou de cremes com cheiros. Ainda enrolada na toalha, se cobrindo de ninguém, pintou as unhas de vinho. Penteou os cabelos e se vestiu. Escolheu a roupa minuciosamente. Toda de preto como a muito não ficava tinha uma beleza diferente, talvez melancólica. Elegante. Depois pintou os olhos se prometendo que não choraria para não borrar a maquiagem. Borrifou o perfume caro que vinha no frasco esquisito. Nunca havia se arrumado tanto. Queria estar linda. Hoje era especial.
Tomou um café e fumou pra se acalmar. Mascou um chiclé de menta pra disfarçar. Pegou o casaco e o guarda chuva e saiu na rua sozinha na escuridão das 3 da tarde. Não era dia de nada. Ninguém a esperava, mas nada importava. Celebrava sua solidão. Celebrava as partidas, a todos que a deixaram. Finalmente conseguia deixar tudo para traz. Era, por um segundo, rainha de si mesma.
Você precisava vê-la.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
sobre um encontro
De novo ela andava. Andava devagar. Vagava sem rumo. Cada passo em uma direção. Seus movimento eram pesados. Pareciam lhe doer. A vida passava arrastada. Todo movimento era forçado.
Andava desengonçada prestes a cair. Insistia em carregar milhares de quinquilharias. Tranqueirinhas que tomaram proporção tamanha que a desequilibravam. Algumas ainda obstruíam sua visão tornando ainda mais difícil tomar um rumo. Ela não andava em círculos, mas dificilmente sairia do lugar. Carregar aquele monte de coisas exigia quase toda a sua atenção e cuidado. Todo seu esforço se destinava a equilibrar tudo que ela acumulara e agora carregava.
Não, ela dificilmente chegaria a algum lugar.
Foi quando encontrou. Não sei se seu deslocamento lento a levou ou se simplesmente veio a seu encontro.
Pouco a pouco entrou em suas entranhas e começou a arrancar os cacarecos que carregava. Os despejava para fora pelo buraco que entrou. Lhe doía. Ela estava completamente atordoada. Doeu-lhe ainda mais quando alcançou o coração e começou a tirar de lá as coisas que já estavam tão acomodadas. Seu sangue lhe afligia de mais. Como ainda não morrera depois de perder tudo aquilo?
Aquele momento cessou. Lhe olhou nos olhos e disse que agora ela tinha espaço pra seguir adiante. Ela chorou. Seu choro, uma celebração do vazio. Do vazio que lhe doía que fazia uma profunda falta e do vazio que a fazia seguir, do vazio que a faria sentir imenso prazer em preenchê-lo.
Andava desengonçada prestes a cair. Insistia em carregar milhares de quinquilharias. Tranqueirinhas que tomaram proporção tamanha que a desequilibravam. Algumas ainda obstruíam sua visão tornando ainda mais difícil tomar um rumo. Ela não andava em círculos, mas dificilmente sairia do lugar. Carregar aquele monte de coisas exigia quase toda a sua atenção e cuidado. Todo seu esforço se destinava a equilibrar tudo que ela acumulara e agora carregava.
Não, ela dificilmente chegaria a algum lugar.
Foi quando encontrou. Não sei se seu deslocamento lento a levou ou se simplesmente veio a seu encontro.
Pouco a pouco entrou em suas entranhas e começou a arrancar os cacarecos que carregava. Os despejava para fora pelo buraco que entrou. Lhe doía. Ela estava completamente atordoada. Doeu-lhe ainda mais quando alcançou o coração e começou a tirar de lá as coisas que já estavam tão acomodadas. Seu sangue lhe afligia de mais. Como ainda não morrera depois de perder tudo aquilo?
Aquele momento cessou. Lhe olhou nos olhos e disse que agora ela tinha espaço pra seguir adiante. Ela chorou. Seu choro, uma celebração do vazio. Do vazio que lhe doía que fazia uma profunda falta e do vazio que a fazia seguir, do vazio que a faria sentir imenso prazer em preenchê-lo.
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sexta-feira, 1 de maio de 2009
mosca de manteiga
"Mas eu não sou vento...
Agora sou só pensamento
e estou pensando em você"- Mário Quintana
Ao vê-lo ela virou borboleta. Pequena e alegre ziguezagueando num vôo nervoso. Ele estava longe ainda. Andava despreocupado. Talvez onde estivesse já nem fosse mais deserto.
Ela voava sem rumo certo. Se queria alcançar aquela flor ou não, era uma indecisão. Mas as outras angústias que trazia já não pesavam mais. Ela voava leve. A areia escaldante não serias mais seus pés. Ele conseguiu fazer sumir toda hostilidade que a prendia.
Agora a borboleta voava livre. Sonhando com o beijo que daria em sua flor. Mas se o sonho se concretiza? Se ela deixa de ser borboleta? Ora isso não é para agora, por hora aproveita teu vôo apaixonado, borboleta.
Agora sou só pensamento
e estou pensando em você"- Mário Quintana
Ao vê-lo ela virou borboleta. Pequena e alegre ziguezagueando num vôo nervoso. Ele estava longe ainda. Andava despreocupado. Talvez onde estivesse já nem fosse mais deserto.
Ela voava sem rumo certo. Se queria alcançar aquela flor ou não, era uma indecisão. Mas as outras angústias que trazia já não pesavam mais. Ela voava leve. A areia escaldante não serias mais seus pés. Ele conseguiu fazer sumir toda hostilidade que a prendia.
Agora a borboleta voava livre. Sonhando com o beijo que daria em sua flor. Mas se o sonho se concretiza? Se ela deixa de ser borboleta? Ora isso não é para agora, por hora aproveita teu vôo apaixonado, borboleta.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Sal
"Jasy ra'y ojovahéi hina" ("a lua nova renova a nossa face")
Era um dia frio, seco e de um calor horrível. O Céu cinza a fazia perder mais ainda suas esperanças. Vagando numa terra coberta de sal seus pés ardiam e ela estava cada vez mais desnorteada. Será que seu coração seria para sempre infértil? Procurava não refletir sobre isso para que sua caminhada não se interrompesse. Caminhava sempre, mas cada vez mais sem propósito. Caminhava em círculos diretamente para um abismo. Oscilava entre a vontade louca de se atirar e o apego que tinha da terra de antes. Valeria continuar na esperança de um dia talvez encontrar novamente um sementinha que florescesse em si ou acabava enfim seu caminho exaustivo? Algumas horas o Sol aparecia e ela, esboçando um sorriso, sentia novamente vontade de andar. Outras vezes o cansaço era tanto que ela chagava próxima de se tornar sal também.
Por mais que outros tentassem se aproximar dessa terra de sal ela sabia que nem um deles a tornaria mais fértil. Isso era algo que ela deveria fazer sozinha. Mas como? Seria mesmo possível? Ela jurava que não, mas algo dentro dela insistia em contradizê-la, em dizer que sim, em fazê-la seguir. Nas longas discussões que tinha com essa coisinha rebelde a única conclusão que chegava era que se insistisse acabaria ainda mais louca do que já provavelmente estava.
Dessa vez ela estava diante de um abismo, como os muitos que já se deparara e se desviara anteriormente. Dessa vez sentia-se disposta a mergulha-lo, mas novamente a coisinha começou a incomodá-la. Sentou-se então na beira do abismo para discutir pacientemente com ela quando uma pétala caiu próxima dela. Teria alguém jogado? De onde poderia vir se já não brotava nada por ali?
A pétala a fez lembrar dos diversos milagres que presenciara cotidianamente e não dava importância pois estava ocupada em sua busca por uma flor. Se milagres a rodeavam todo dia por que não um acertá-la em cheio e se fazer um broto, uma flor, um fruto. Quem sabe esse milhares de milagrezinhos não eram a própria flor que procurava?
Oh, havia muito o que discutir com a coisinha.
Era um dia frio, seco e de um calor horrível. O Céu cinza a fazia perder mais ainda suas esperanças. Vagando numa terra coberta de sal seus pés ardiam e ela estava cada vez mais desnorteada. Será que seu coração seria para sempre infértil? Procurava não refletir sobre isso para que sua caminhada não se interrompesse. Caminhava sempre, mas cada vez mais sem propósito. Caminhava em círculos diretamente para um abismo. Oscilava entre a vontade louca de se atirar e o apego que tinha da terra de antes. Valeria continuar na esperança de um dia talvez encontrar novamente um sementinha que florescesse em si ou acabava enfim seu caminho exaustivo? Algumas horas o Sol aparecia e ela, esboçando um sorriso, sentia novamente vontade de andar. Outras vezes o cansaço era tanto que ela chagava próxima de se tornar sal também.
Por mais que outros tentassem se aproximar dessa terra de sal ela sabia que nem um deles a tornaria mais fértil. Isso era algo que ela deveria fazer sozinha. Mas como? Seria mesmo possível? Ela jurava que não, mas algo dentro dela insistia em contradizê-la, em dizer que sim, em fazê-la seguir. Nas longas discussões que tinha com essa coisinha rebelde a única conclusão que chegava era que se insistisse acabaria ainda mais louca do que já provavelmente estava.
Dessa vez ela estava diante de um abismo, como os muitos que já se deparara e se desviara anteriormente. Dessa vez sentia-se disposta a mergulha-lo, mas novamente a coisinha começou a incomodá-la. Sentou-se então na beira do abismo para discutir pacientemente com ela quando uma pétala caiu próxima dela. Teria alguém jogado? De onde poderia vir se já não brotava nada por ali?
A pétala a fez lembrar dos diversos milagres que presenciara cotidianamente e não dava importância pois estava ocupada em sua busca por uma flor. Se milagres a rodeavam todo dia por que não um acertá-la em cheio e se fazer um broto, uma flor, um fruto. Quem sabe esse milhares de milagrezinhos não eram a própria flor que procurava?
Oh, havia muito o que discutir com a coisinha.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Desejo
20/01
Tinha clareza de que era uma criança. Quando o toquei sabia que não passava de uma criança. Porém o corpo dizia o contrário. O corpo amadurecera antes do tempo. Um corpo incoerente que me despertava desejo.
Assim que soube de meu desejo o larguei, com um misto de nojo, medo e culpa.Apesar de apertada a vitória, em mim a moral catolica venceu o instinto. Não colhi o fruto antes da época de colheita.
Me alivio, pois era apensa uma criança no corpo de homem, mas que corpo de homem.
Tinha clareza de que era uma criança. Quando o toquei sabia que não passava de uma criança. Porém o corpo dizia o contrário. O corpo amadurecera antes do tempo. Um corpo incoerente que me despertava desejo.
Assim que soube de meu desejo o larguei, com um misto de nojo, medo e culpa.Apesar de apertada a vitória, em mim a moral catolica venceu o instinto. Não colhi o fruto antes da época de colheita.
Me alivio, pois era apensa uma criança no corpo de homem, mas que corpo de homem.
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Suícida Urbano Paulista
Sentada num banco de praça me veio a memória aqueles trilhos a me fitar, o barulho de meus sapatos se aproximando e por fim o vento produzido por meu carrasco. Sorri ao pensar na ironia que era estar na consolação.
E assim começam a trafegar os pensamentos de um suicida numa grande metrópole como São Paulo. São infinitas as causas que levam alguém a dar cabo a sua vida e infinitos os meio para tal. Após decididos os dois primeiro fatores os que optam pelo trilhos do mêtro ainda sofrem mais um dilema. São 50 estações diferentes para escolher.
Aos que mesmo após a decisão não abrem mão de sua forte religiosidade católica sugiro morrer na Santa Cruz ou Belém. Mas lembro que estas não são as únicas opções. Há quem prefira São Judas, São Bento, São Joaquim, Santuário Nossa Senhora de Fátima-Sumaré e até mesmo a própria Sé.
Outros repletos de opções são os patriotas. Estes escolhem entre Alto do Ipiranga, Tiradentes, República, Marechal Deodoro e Pedro II.
Aos de fato Paulistanos, por que não Jardim São Paulo? E ao forasteiros Imigrantes, Armênia, Vila Inglesa ou Portuguesa-Tiête.
Aos que chegam ao fim por desilusão amorosa os possíveis nomes de amadas são vários: Conceição, Mariana, Ana Rosa, Madalena, Gulhermina, Matilde e Cecília. Se não é nenhuma dessas ainda há a Consolação.
Aos eco-suicidas, a Praça da árvore, aos esotéricos morte na Luz, aos oprimidos Liberdade, aos esperançosos Paraíso ou a própria Esperança. Aos conservadores Patriarca e aos playboys Carrão.
Para os palmerenses, Barra Funda; corinthianos, Itaquera, embora ainda haja Carandiru. Aos são paulinos, sugiro que esperem o mêtro da Oscar Freire ficar pronto na linha amarela.
Para os que não estão seguros de sua decisão, Clínicas; aos irônicos Saúde; aos artistas, Trianon-Masp; aos gulosos, Brigadeiro
A quem não quer nada disso ainda resta morrer em uma daquelas que todos sabem o nome, porém o significado ainda é desconhecido: Jabaquara, Tucuruvi, Chácara Klabin, Penha, Bresser Moóca, Brás ou Anhangabaú.
Porém não posso esquecer do exemplar mais comum de suicida urbano paulistano. O prático e apressado que sem perder tempo no planejamento de se próprio suícidio se dirige ao mêtro mais próximo.
Alguns até sem tempo para o próprio suícidio permanecem vivos, numa vida morta pela rotina e pelos afazeres. São estes que de tão acostumados já nem lêem mais os nomes das estações
E assim começam a trafegar os pensamentos de um suicida numa grande metrópole como São Paulo. São infinitas as causas que levam alguém a dar cabo a sua vida e infinitos os meio para tal. Após decididos os dois primeiro fatores os que optam pelo trilhos do mêtro ainda sofrem mais um dilema. São 50 estações diferentes para escolher.
Aos que mesmo após a decisão não abrem mão de sua forte religiosidade católica sugiro morrer na Santa Cruz ou Belém. Mas lembro que estas não são as únicas opções. Há quem prefira São Judas, São Bento, São Joaquim, Santuário Nossa Senhora de Fátima-Sumaré e até mesmo a própria Sé.
Outros repletos de opções são os patriotas. Estes escolhem entre Alto do Ipiranga, Tiradentes, República, Marechal Deodoro e Pedro II.
Aos de fato Paulistanos, por que não Jardim São Paulo? E ao forasteiros Imigrantes, Armênia, Vila Inglesa ou Portuguesa-Tiête.
Aos que chegam ao fim por desilusão amorosa os possíveis nomes de amadas são vários: Conceição, Mariana, Ana Rosa, Madalena, Gulhermina, Matilde e Cecília. Se não é nenhuma dessas ainda há a Consolação.
Aos eco-suicidas, a Praça da árvore, aos esotéricos morte na Luz, aos oprimidos Liberdade, aos esperançosos Paraíso ou a própria Esperança. Aos conservadores Patriarca e aos playboys Carrão.
Para os palmerenses, Barra Funda; corinthianos, Itaquera, embora ainda haja Carandiru. Aos são paulinos, sugiro que esperem o mêtro da Oscar Freire ficar pronto na linha amarela.
Para os que não estão seguros de sua decisão, Clínicas; aos irônicos Saúde; aos artistas, Trianon-Masp; aos gulosos, Brigadeiro
A quem não quer nada disso ainda resta morrer em uma daquelas que todos sabem o nome, porém o significado ainda é desconhecido: Jabaquara, Tucuruvi, Chácara Klabin, Penha, Bresser Moóca, Brás ou Anhangabaú.
Porém não posso esquecer do exemplar mais comum de suicida urbano paulistano. O prático e apressado que sem perder tempo no planejamento de se próprio suícidio se dirige ao mêtro mais próximo.
Alguns até sem tempo para o próprio suícidio permanecem vivos, numa vida morta pela rotina e pelos afazeres. São estes que de tão acostumados já nem lêem mais os nomes das estações
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Ana
escrito em Junho de 2006:
Um dia ela cresceu.
Sua vida se complicou.
O mundo contra ela se voltou
Sem ter outra escolha, se rebelou
Perdeu a inocência
e mais tudo que tinha
Deixou para trás sua vida
Para começar sua grande viajem só de ida
Os corações partidos
As bonecas
As amigas
Trancadas
No baú sem chave de sua memória
vive como se sua vida não fosse mais do que viajem
e acabou por se esquecer
da família
do lar
do calor
do amor
de sorrir ao ver o Sol numa manhã de inverno
Vive agora numa noite eterna
Sem Lua ou estrela
Sentada na sarjeta
Sem sentimento algum
Esperando para voltar a viagem
Pois se esqueceu como se vive sem ela.
Um dia ela cresceu.
Sua vida se complicou.
O mundo contra ela se voltou
Sem ter outra escolha, se rebelou
Perdeu a inocência
e mais tudo que tinha
Deixou para trás sua vida
Para começar sua grande viajem só de ida
Os corações partidos
As bonecas
As amigas
Trancadas
No baú sem chave de sua memória
vive como se sua vida não fosse mais do que viajem
e acabou por se esquecer
da família
do lar
do calor
do amor
de sorrir ao ver o Sol numa manhã de inverno
Vive agora numa noite eterna
Sem Lua ou estrela
Sentada na sarjeta
Sem sentimento algum
Esperando para voltar a viagem
Pois se esqueceu como se vive sem ela.
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