sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Acho que escrever nesse estado tem sido meio recorrente. Ontem sai de casa sem intenção de voltar. De fato voltou só um corpo que eu não sei como não perdeu a mochila e ainda conseguiu tirar a sapatilha antes desmaiar na cama. Passei a noite me sentindo culpada. Acordei, quase desmaiei, voltei a dormir. Quando realmente acordei percebo vários machucados. Não quero lembrar como aconteceu, alias não quero lembrar de nada, mas me sinto culpada. Passo a manhã inteira passando mal. Ressaca moral sem ter feito nada de errado, simplesmente porque me ensinaram que é errado perder o controle.
Sair dessas culpas puritanas parecia impossível.
Tomo uma coca-cola e vejo um e-mail que me deixa feliz. Pronto. Tudo de ruim foi embora e fico pensando nesse novo convite.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Escrevendo

Vou começar me justificando, mais pra mim do que pra qualquer outra pessoa, apesar de tudo ter começado com uma pessoa.
Isso é sobre eu não saber receber críticas.
Pela primeira ouvir que sou romântica soou mau. Isso e todas as coisas que ele me falou ficaram rodando na minha cabeça. Não estava ofendida, bem longe disso. Acho que foi bom ouvir, mas que o orgulho saiu ferido, isso com certeza. No fim, acho que foi bom ouvir, mas ainda tendo a me defender.
Pode parecer tudo meio estranho, mas na verdade eu gosto de como eu sou. Eu me fascino muito fácil por muita gente e eu gosto disso. Eu gosto de conseguir admirar e gostar das pessoas, mesmo que eu pareça meio boba. Eu também acho a minha vida desse jeito incrível que eu escrevo aqui. Muito mais incrível que qualquer ficção que eu possa escrever. Eu sei que se escrevesse algo longe disso não seria bom. Além disso é um jeito de deixar ela mas leve. O mundo já é pesado o suficiente. Eu não tenho medo que as pessoas saibam demais da minha vida. Me sinto até confortável de poder dividir as coisas e tem coisas, poucas que são só minhas.
Não é tudo que vem pra cá. Tem as com mais pretensão, que ficam guardadas porque a elas eu não suportaria críticas. Também tem coisas minhas, só minhas, que moram no caderno amarelo.
Acho que o blog é um jeito de me fazer conhecer, porque me sinto confortável sabendo que as pessoas me conhecem. Ele também virou um jeito de falar com as pessoas que estão longe e principalmente é o meu jeito de amenisar essa insignificância deixando as coisas um pouco mais deslumbrantes.
Termino lembrando que desde Machado todo mundo já sabe que nunca se confia em um narrador em primeira pessoa.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Flip

Bom, acho que dessa FLIP ficou bem menos que da anterior. Ela mesma foi menos poética e talvez por não ser a primeira, pra mim ficou menos mágica. Acho que o que mais me fez pensar foi o que disseram sobre leitores. A Isabel Allende falou que o que ajudava da carreira prévia de jornalista é que ela escrevia para os leitores e não para a crítica ou para si mesma. Ronaldo Correia de Brito no dia anterior também falava da importância do leitor. Que a literatura só existia quando havia um leitor que resignificava a obra. Do contrário ela não teria valor.
Caros leitores, nesse espaço que escrevo normalmente só pra mim, há um pedaço que fugiu à regra.

domingo, 8 de agosto de 2010

Fantasma

Ele ainda me assombra. É como se nunca fosse me deixar e como se eu não conseguisse viver sem isso. Então vivo numa sobrevida sem ele, mas sem me desprender de seu fantasma. A verdade é que ele vive agora num mundo inalcansável bem distante do meu. Não intento alcançá-lo de novo, porém é como se nunca pudesse viver sem ele. O culpo pela minha covardia, minha frieza e meu egoísmo. Como não culpar se só fiquei de pedra depois que ele foi embora? Ainda não achei um caminho que eu queira seguir e sempre que penso ter encontrado vejo seu espectro a me assombrar e recuo. Não consigo me jogar em mais nada. Pensar que nada vai ser como ele me faz não querer nem querer alguma coisa. Nessa vontade de coisa alguma escrevo pra me livrar desse fantasma que não me deixa sonhar.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Véspera

Acho que minha semana foi como os meus bolos...

Agora eu penso em ir embora de novo. Cada vez que eu largo São Paulo eu me largo. Tem gente que leva uma trouxa de problemas pra viagem e aproveita pra resolvê-los no ar puro. Não é o meu caso. Eu deixo os problemas aqui e antes de sair ainda falo "Fiquem comportados aqui e se resolvam. Quando eu voltar não quero mais nada fora do lugar". Normalmente da certo.
Se quando eu ia pra fazenda eu queria mesmo deixar todos os meus milhões de problemas se resolvendo sozinhos aqui, agora a situação é outra. Acho que eu não tenho nada muito meu aqui. Eu estou procurando coisa pra começar. Coisas que depois eu vou cuidar e alimentar até que cresçam. Nesse ponto elas começam a ser problemas. Agora eu não tenho muitos problemas, nem muitas coisas que ainda não são problemas. Então estou atrás de qualquer coisa que preencha essa vidinha e que lugar melhor que Paraty pra procurar coisas que valham a pena alimentar?
Vou. Na volta trago pensamentos loucos, pensamento geniais, algum texto quem sabe pra vir pra cá e saudades sempre. Me desejem boa viajem!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

É assim que eu me senti no último mês. Quanto mais pra baixo a frase mais antigo o meu sentimento, mas vendo por esse ângulo, gosto bastante do meu Blog.

Diga a eles que não quero mais receber visitas.
Esperava que seus olhos o fizessem compreender.
Por que isso é errado pra eles?
Espero, Sonho, Espero
Acho que é uma coisa muito minha, mas pra mim é verdade.
Noites que são fatos isolados sem nenhum sentimento me incomodam de mais
Voltaram para suas vidas medíocres um sem saber ao certo como andava o futuro do outro.
Quero voltar e ter saudades de lá, mas quero reaprender a viver aqui.
Já estava feliz de simplesmente voltar a ver cores e borboletas.
Logo continuaria como antes, apenas longe dela.
Será que todas as noites vão ser assim?

Morfina

Quando entrei no quarto já a encontrei deitada com as feridas expondo sua carne deslacerada. Ela não se levantaria tão cedo. Me ative na porta uns instantes contemplando-a. Seus olhinho me encaravam sem parar. Era aflitivo olhar para os olhos, mas quando fugia dele encontrava as feridas. Era como se mais nada existisse naquele quarto.
"Dói muito?"
Seu olhar se tornou ainda mais penetrante. Pensei no rosto meigo, em seu sorriso, era como se nada disso existisse. Nunca a vira tão séria e tão fria.
"Não. Já doeu muito. Agora acabou. Agora eu não sinto mais nada. Nem bom nem ruim."
Ela parou e tentou esboçar um sorriso. Parecia difícil. Ele saiu torto e discreto. Achei que ela tinha esquecido como sorria.
"Não sei o que você acha do que eu te digo, ou de como estou, mas antes que resolva qualquer coisa definitiva a meu respeito, lembra que você não sabe como doía. Eu sinto muito. Diga a eles que não quero mais receber visitas."