quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Floating out to wonderland

Eu estava pensando nas minhas tatuagens. Em como pra mim elas marcam épocas da minha vida. O coelho branco eu fiz a uns três meses. Eu falei só que era ele que levava ao país das maravilhas e por isso ele é muito legal. Eu gosto bastante dele, mas a verdade é que eu me sinto um pouco num país das maravilhas onde por tudo ser maravilhoso nada é deslumbrante. Me sinto perdida. Há um estranhamento pelas coisas erradas. Eu já nem sei quem eu sou. Acho que eu não acho estranho coelhos falarem que estão atrasados, mas coelhos de colete tirando relógios de bolso. Isso sim é motivo para estranhamento. Acho mesmo que eu não sou mais eu. Não lembro das coisas que aprendi quando era pequena. Talvez eu esteja virando a Mabel. Sim realmente ando perdida. Dizem que quando você não sabe onde quer chegar qualquer caminho te leva lá. Será? Tento descobrir nesse mundo maluco em que me meti. Dentro de uma lógica muito própria nada me faz sentido. Eis o nom sense não o surrealismo. Me disseram que são opostos com fins muito próximos. Talvez eu possa escrever sobre isso. Talvez eu chegue em algum lugar. Quem sabe volto pra casa ou mando um par de botas para os meus pés.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

22-

Alguém que você gostaria de dar uma segunda chance

He he he hey boy,

Quer provar pra mim que você é alguma coisa? Que é mais que um cartaz? Me diz a minha verdade. Me conta o final do conto do patinho feio. Para de me humilhar com os olhos, porque agora já não funciona. O seu é azul, mas o  meu não tem cor definida. Acho que eu cresci e você? Me mostra alguma coisa que valha a pena ou só me entretenha, mas venha.

juliana.

De cadência

Já a noite sentada na frente do espelho de lingerie pois-se a pensar na sua vizinha medíocre. Olhava suas olheiras. Não era assim antes. Tomou um remédio pra dor de cabeça e ascendeu o cigarro. Era assim toda noite. Deitou numa almofada. Suspirou. Voltou a se encarar no espelho. Como ela era pouco. Era triste se ver assim e pensar com veneno amargo na boca que ela precisava de alguém menor em quem pudesse subir, se apoiar e voltar a ser o sorriso que era.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

21-

Alguém que você julgou pela primeira impressão

Desculpa, te confundi com outra pessoa...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Te vi de novo

Eu não pedi pra você ir, mas eu não tinha como fugir. Eu sabia que estaria lá. Mesmo assim fui. Não foi fácil ir. Me tomou alguma horas diante do guarda-roupas e do espelho, mas chegou uma hora em que tantas coisas me faziam desistir de ir que eu nem lembrava mais de você. Na verdade lembrei pouco de você. Só pra me vestir com uma roupa que você gostava e pra treinar uma cara de não ligo estou contente. Tinha tanta gente, tanta gente que eu não vi, tanta chuva, nessas horas você não era nada. Só voltei a te lembrar quando já estava lá. Você fez questão de sentar na minha frente ou foi só uma conhecidência? Você não é da cor da cadeira. Eu vi que você era você, mas vi seus esforços pra sumir, então fingi que você era. Só concordei com você, como de costume.
Foi bom te ver com um sorriso enquanto você fingia que não. Tem coisinhas que dizem muito ao meu respeito. Ao seu não, mas nos vemos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Vem?

"Eu vim. Você tinha pedido"
"Eu queria te ver mais um vez"
"Aconteceu alguma coisa?"
"Eu fiquei com saudades. Já não lembrava como você era"
"Talvez você devesse tentar esquecer"
"Eu deveria muitas coisas. Dever é difícil. Eu só sinto"
"Olha, eu to meio sem tempo"
"Na nossa separação todo tempo ficou comigo."
"Ouve, as coisas só mudam. Você não pode mais viver isso. Já faz tempo demais. Inventa outra história. Você gosta tanto disso.
"Só estou procurando uma inspiração"
"Não vai demorar"
"É, eu tenho tempo. Vou me apresentar amanhã. Vem?"
"Vou tentar. Já vou agora. Adeus"

Ele não iria. Tinha agora um compromisso com outro par de pernas. Não que aqueles olhos tivessem deixado sua mente para sempre, mas é assim que as coisas devem ser.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

20-

Quem partiu seu coração


"O coração perdoa,
mas não esquece a toa"

Você é muitos e eu nem conheci todos. Não acho que alguém tenha se destacado nesse feito. Claro que alguns foram bem piores que outros, mas agora tanto faz. Ando cada vez mais amargurada e culpa é de vocês sim. Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor e dou risada do grande amor. Não faz mais sentido diferenciar vocês. Todos moram em alguma gaveta destinada as minhas memórias. O que eu não aprendi é a lidar com o coração que ficou em mim. Já não espero nada de ninguém e ainda espero alguém. Ando mesmo feito gato assustado pra não confiar em ninguém. Não queria que fosse assim. Já não consigo por a culpa em ninguém além de mim, mas é assim. Quem sabe alguém desquebre um dia. Bicho arisco quando domesticado esquece o risco. Por isso não vejo motivo pra ficar com ela, você ou ninguém, pois sozinho eu vou muito bem