sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Contratempo

não havia nada. Por mais que tentasse se expressar tudo que quiser ser dito já se esvaíra. Não eram palavras que faltavam. Elas continuavam no lugar de forma impecável, mas todo sentido havia fugido. Pra onde? Por que? Dizia que era o tempo que lhe faltava. Mentira ultima invenção para mascarar a falta de criatividade. Só não havia mais nada pra dizer. Tempo havia. Talvez o que faltasse fosse um bom uso do tempo ou apenas um bom tempo. Um tempo que trouxesse a atemporalidade dos pensamentos. Lhe faltava ter tempo parar o que não cabia no tempo. Faltava o eterno dos pensamentos atemporais expulsos pelo tempo contado de fazer.

sábado, 15 de agosto de 2009

Coelho

E o tempo que resolveu se achatar. Sei que tive a minha opinião nessa decisão do tempo de passar diferente, mas não foi muita. Para todos nós é tarde é tarde é muito tarde. Um segundo é infinito, mas são segundos infinitos que passam em milisegundos. Não dá tempo. Não há tempo. E eu corro. Me aflijo com tudo que tenho que fazer. Me aflijo com a falta de tempo. Odeio não ter tempo para fazer a minha atividade mais importante: "absolutamente nada".
E as pessoas que também passam correndo, mas também as que não correm são deixadas para tras por eu mesma que passo correndo por elas. O que fazer?
Sentar e descansar. Dá tempo?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Nobody feels any pain
Tonight as I stand inside the rain
Ev'rybody knows
That Baby's got new clothes
But lately
I see her ribbons and her bows
Have fallen from her curls.
She takes just like a woman, yes, she does
She makes love just like a woman, yes, she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl.

Queen Mary, she's my friend
Yes, I believe I'll go see her again
Nobody has to guess that Baby can't be blessed
Till she finally sees that she's like all the rest
With her fog, her amphetamine and her pearls.
She takes just like a woman, yes
She makes love just like a woman, yes, she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl.

It was raining from the first
And I was dying of thirst
So I came in here
And your long-time curse hurts
But what's worseIs this pain in here
I can't stay in hereAin't it clear that? I just can't fit

Yes, I believe it's time for us to quit
When we meet again
Introduced as friends
Please don't let on that you knew me when
I was hungry and it was your world.
Ah, you fake just like a woman, yes, you do
You make love just like a woman, yes, you do
Then you ache just like a woman
But you break just like a little girl

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Balanço

Ganhei mais uma semana, mas por enquanto foram 10 filmes, 6 livros, 4 cachecóis, 5 cidades.
Dessa vez não houve nenhuma lista de o que eu deveria fazer. As coisas simplesmente vieram, assim como as frustrações e os momentos bons. Aconteceu de tudo e eu passei por tudo flutuando leve. Amei cada pessoa que viajou comigo, chorei em todas as viagens, mas todas foram magicas. Nunca estive tão leve, apesar da melancolia, apesar de alguns ódios cultivados por mim mesma, apesar de perdas, tive bons sonhos. Tive tempo para pensar, talvez por isso não saiba mais nada do que quero, mas minha vida anda arrumada de tal forma que conseguiria passar por muitos futuros. Não mergulho, já estou submersa em o que quer que seja. Deslizo e vejo aonde vou dar.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Trecho roubado de A chave de casa de Tatiana Salem Levy

[Você nunca pensa em coisas boas? Não tem sonhos?] Tenho, claro que tenho. Sonho que um dia um príncipe chegará montado num cavalo branco para me buscar.Não precisarei fazer esforço algum, ele saberá que sou a mulher por quem ele procura. Bastará nos olharmos para saber que fomos feitos um para o outro. Ele me pegará pela mão e me levará, a cavalo, para um lugar lindo, onde haverá uma grande festa, onde encontrarei todos que já partiram deste mundoe todos que nele ainda estão. Lá viveremos felizes, numa terra que não conhece a morte, não conhece tempo, não conhece a dor. [Então você sonha?] Sonho, claro. Tenho ainda outros sonho, que nunca contei a ninguém. [E o que é?] É tenho esse sonho impossível: escrever escrever escrever.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ritual

Você precisava vê-la.
Ela saiu do banho e se lambuzou de cremes com cheiros. Ainda enrolada na toalha, se cobrindo de ninguém, pintou as unhas de vinho. Penteou os cabelos e se vestiu. Escolheu a roupa minuciosamente. Toda de preto como a muito não ficava tinha uma beleza diferente, talvez melancólica. Elegante. Depois pintou os olhos se prometendo que não choraria para não borrar a maquiagem. Borrifou o perfume caro que vinha no frasco esquisito. Nunca havia se arrumado tanto. Queria estar linda. Hoje era especial.
Tomou um café e fumou pra se acalmar. Mascou um chiclé de menta pra disfarçar. Pegou o casaco e o guarda chuva e saiu na rua sozinha na escuridão das 3 da tarde. Não era dia de nada. Ninguém a esperava, mas nada importava. Celebrava sua solidão. Celebrava as partidas, a todos que a deixaram. Finalmente conseguia deixar tudo para traz. Era, por um segundo, rainha de si mesma.
Você precisava vê-la.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Melodrama

Já se alongava por muito tempo. Mesmo eu que respiro por histórias de amor a achei gasta. Sofrida. Já havia demorado demais para que houvesse um desfecho fosse ele um final feliz ou trágico. E nessa espera já havia tempo para se preparar para todo o pior. Foi o que fiz. Contava as horas esperando para ser apunhalada. Descrente de um final ameno só esperava. Agoniada vi o tempo fugindo de mim sem que nada acontecesse. Não pude fazer nada, então esperei até o momento trágico. Cheguei a me sufocar por ele. Vivia esperando minha morte. Até que enfim chegou a hora.
Foi surpreendente sua vinda. O momento que eu mais temia enfim me libertou por completo. Já não precisava mais esperá-lo, agora eu podia fazer o que quisesse. O pior já passou. Visto minhas asas e voo a procurar uma nova história de amor para inventar.

"Como é cruel ( e bonito) que a vida continue depois de você"- Tatiana Salem Levy